Essa carta não é pra você. Não é nem de amor, mas pode
parecer tão ridícula quanto. É um protesto, um desabafo e mais, é uma ode aos muitos
desejos que são sufocados em prol de não sei o quê e nem por quem. Seja pelo
que for, essa asfixia não deve matar esses desejos. Libertem-se. Realizem-se.
Despertem! Oh, por Deus ou por qualquer outra força que imaginem superior a
vocês mesmo, despertem! Despertem do sono artificial da rotina e do previsível.
Aconteçam nas ruas, nas mensagens de texto ou subliminares e nos olhares, em
qualquer lugar. Um dia pode parecer tão pouco, talvez amanhã, talvez nunca mais,
não vale a pena: por favor, não! Quem poderá saber menos do que está por vir do
que nós, presos ao passado, reféns de um futuro que não existe e alienados do
hoje? Até um simples pássaro, na sua humilde majestade, vive um amanhecer de
cada vez. Não faço muitas preces, mas diria uma em nome de cada momento, para
que ele não se perca; para que cada encontro não seja desprezado pela “falta de”:
falta de tempo, de utilidade, de vantagem, de coragem. E uma pra você, e pra
mim. Mais por você, pra você sempre lembrar o de sempre: que não há nunca e
muito menos sempre.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
domingo, 2 de junho de 2013
Ensaio
Em que dia estamos? Eu planejei
tudo com detalhes e antecedência (de um dia, vai, mas planejei), e nos meus
sonhos, me ocupei dos olhares, dos trejeitos, do cabelo e da maquiagem. Acordei
com o barulho de que tinha chegado a hora e mais uma vez estava atrasada. Eu
chego atrasada até onde não tenho que chegar a lugar nenhum. Em um momento
estava no meu casulo e no seguinte, a luz entrava despojada e familiar como se
fosse normal estar nesta casa, na minha vida e sobre meu corpo, que pouco à
vontade, se movia quase que maquinalmente na frente de um (quase) estranho e
sua estranha câmera. Eu tinha medo que eles pudessem captar a minha vergonha, a
minha timidez e, sobretudo o que a luz fazia ver: que fazia tempo que eu não
via a luz.
Não há muito que eu possa dizer
sobre as fotos. Eu não as vi e sequer tive a curiosidade de ver. Eu só queria
que servissem para algo, e o meu eu, sempre pouco estruturado para a realidade,
não se importava. Mas ele é, como um poeta, um grande fingidor, finge que está tão
à vontade, que chega a fingir que é estar à
l’aise o que deveras sente. Evitei o máximo que pude olhar diretamente para
a lente, porque meu olhar, construído em um complexo que dificilmente reparo a
não ser quando congelado em uma foto, não estava ali. Eu estava olhando pra
dentro, e sentia até certo prazer de não me importar em estar perfeitamente
maquiada ou no ângulo correto. E dentro de mim eu vi que não havia como fugir.
Não há outro lugar pra ir a não ser dentro desse corpo e movê-lo, prendê-lo ou
soltá-lo, amá-lo ou odiá-lo.
Quando ele se foi, eu tirei tudo,
a maquiagem, a roupa e me deitei. Dormi um sono agitado e quando acordei, tinha
chorado. Uma lágrima havia escorrido dos meus olhos sem esforço, sem dor, e eu
não a compreendi até esse exato momento em que escrevo. Entendi que tudo bem
não gostar muito de luz. Tudo bem se sentir envergonhado, triste, sozinho ou
pouco à vontade. Tudo bem. Mas naturalmente, há partes de nós mesmos que
gostariam de ser vistas, olhadas e admiradas e tudo bem também mostrá-las quando
vale a pena. E que no fim, está tudo bem, de verdade. Que aquele cara não
ligue, que sua mãe não fale, que ainda seja noite e não haja nada pra fazer. De
vez em quando, alguém aparece e diz: você topa? E você diz que sim. E fica tudo
bem.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
(O)caso
Meu amor, você diz:
Não há tempo
O que preciso e o que te digo atravessam campos,
O pranto, a dor, e o desengano.
Não há espaço,
Mas entre eu e você, algo se cola,
Se afoga, eu te afago e você ofega.
Não há futuro,
Não vai dar certo, não chegará a nada
Eu sei o que vai acontecer.
O seu sim, é um não.
E eu respondo:
Eu tenho tempo
Pra te dedicar um verso, uma música
E olhar você e deixar o mundo.
Eu crio pra você o espaço
Perfeita área em que você cabe dentro de mim
E na circunferência do meu abraço.
Eu leio a sorte nos teus olhos e vejo,
O seu futuro é aquilo
que você quiser que seja hoje.
Chegar? Não há destino
Eu faço da sua chegada, festa
E do seu dia, o paraíso
E eu te deixo pra ser
E estar onde quiser
Desde que você me deixe
Viver no seu presente
E eventualmente morrer na sua lembrança.
Não há tempo
O que preciso e o que te digo atravessam campos,
O pranto, a dor, e o desengano.
Não há espaço,
Mas entre eu e você, algo se cola,
Se afoga, eu te afago e você ofega.
Não há futuro,
Não vai dar certo, não chegará a nada
Eu sei o que vai acontecer.
O seu sim, é um não.
E eu respondo:
Eu tenho tempo
Pra te dedicar um verso, uma música
E olhar você e deixar o mundo.
Eu crio pra você o espaço
Perfeita área em que você cabe dentro de mim
E na circunferência do meu abraço.
Eu leio a sorte nos teus olhos e vejo,
O seu futuro é aquilo
que você quiser que seja hoje.
Chegar? Não há destino
Eu faço da sua chegada, festa
E do seu dia, o paraíso
E eu te deixo pra ser
E estar onde quiser
Desde que você me deixe
Viver no seu presente
E eventualmente morrer na sua lembrança.
Esta obra de Amanda Cristina da Silva Ferreira, foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Pretérito menos-que-perfeito
Roubaram meus sonhos
Eu durmo em repetição de dias passados
Eram partes de mim
Mesmo que eu não desse valor
Eram minhas, e acabou.
Levaram coisas do meu quarto
Abriram meu armário
E feridas no meu orgulho
E pobre, e pouco, e patético
Ele continuou de pé, cambaleando.
Na próxima, ele jurou, eles vão ver.
E veio a próxima.
Nada mudou
Ouviram minhas preces,
Minhas juras, meus dilemas
E saíram na calada da noite
Sem dizer palavra ou enquanto eu dormia
E em silêncio, eu chorei
E recolhi as lágrimas e uma flor amassada no chão.
Assim eu quis
Ir embora, abrir feridas, roubar sonhos, levar coisas
Não precisava
No meu espelho, o algoz,
Nas minhas cartas anônimas, o assassino
E na face triste, o olhar de quem se perdeu
Porque não tinha motivo pra se encontrar.
Esta obra de Amanda Cristina da Silva Ferreira, foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
O segredo do tempo / El secreto del tiempo
Talvez um dia um pássaro me conte como é viver um amanhecer de cada vez.
Talvez um dia eu abra portas sem imaginar o que há atrás.
Com sorte morrerei, mas que não continue respirando.
E nem que seja por um segundo, eu esteja aqui e agora, sem passado e sem futuro.
E sinta o tempo roçar meu braço e sussurrar no meu ouvido: "Viva".
"Viva o choro, a dor, o sofrimento, a risada, o amor, a decepção e a esperança".
"Mas viva".
"E não me perca, que te dou de presente o maior segredo que tenho:
Que é no momento que guardo aquilo que vocês chamam de eternidade."
****
Quizás un pájaro me cuente como es vivir un amanecer a la vez.
Quizás un día abra puertas sin imaginar lo que hay detrás.
Ojalá muera, pero que no siga respirando.
Y ni que sea por un segundo, esté aquí y ahora, sin pasado, sin futuro.
Y sienta el tiempo rozar mi brazo y hablarme bajito al oído: "Vive".
"Vive el llanto, el dolor, el sufrimiento, la risa, el amor, la decepción y la ilusión".
"Pero vive".
"Y no me pierdas, que te regalo el secreto que tengo:
que es el momento que guardo, al que llamáis, eternidad."
Este obra de Amanda Cristina da Silva Ferreira, foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
Talvez um dia eu abra portas sem imaginar o que há atrás.
Com sorte morrerei, mas que não continue respirando.
E nem que seja por um segundo, eu esteja aqui e agora, sem passado e sem futuro.
E sinta o tempo roçar meu braço e sussurrar no meu ouvido: "Viva".
"Viva o choro, a dor, o sofrimento, a risada, o amor, a decepção e a esperança".
"Mas viva".
"E não me perca, que te dou de presente o maior segredo que tenho:
Que é no momento que guardo aquilo que vocês chamam de eternidade."
****
Quizás un pájaro me cuente como es vivir un amanecer a la vez.
Quizás un día abra puertas sin imaginar lo que hay detrás.
Ojalá muera, pero que no siga respirando.
Y ni que sea por un segundo, esté aquí y ahora, sin pasado, sin futuro.
Y sienta el tiempo rozar mi brazo y hablarme bajito al oído: "Vive".
"Vive el llanto, el dolor, el sufrimiento, la risa, el amor, la decepción y la ilusión".
"Pero vive".
"Y no me pierdas, que te regalo el secreto que tengo:
que es el momento que guardo, al que llamáis, eternidad."
Este obra de Amanda Cristina da Silva Ferreira, foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Quando
Quando eu amar de novo
Nada terá mudado no mundo
Os segundos ainda ditarão o tempo de espera
E pessoas seguirão os fluxos programados
Mas dentro de mim, secretamente, algo se acalmará
Aquele viajante perdido encontrará um lar
E sozinha na multidão, sorrirei ao escutar nossa canção.
Quando eu amar de novo
Aquela outra história morrerá como as folhas de outono
Amareladas entre as páginas de um livro
Com palavras e promessas feitas para sempre
E que não duraram mais este verão.
Quando eu amar de novo
Seremos cúmplices no crime da felicidade
Escondidos das celebrações de alegria aparente
E nenhum grito será dado
O que tiver que ser dito será guardado junto ao seu ouvido.
Sem novas fotos nos porta-retratos
Nenhuma teoria perfeita sobre o amor
Nada e tudo terá tanto sentido
Como eu e você juntos
quando eu amar de novo.
Este obra de Amanda Cristina da Silva Ferreira, foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
Este obra de Amanda Cristina da Silva Ferreira, foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Só quem tem cachorro sabe
Eu sempre achei que eu o tinha
escolhido. Que engano, foi ele quem me escolheu. Entre montes de filhotes
saltitantes lambendo a minha mão, ele estava lá, no fundo daquela caixa de
concreto fria de canil. Ele já sabia: eu não resisto a semblantes de tristeza e
olhos desconfiados. E apontei: “Eu quero aquele quietinho ali”.
Em casa, ele se revelou: roía tudo
o que via pela frente, chinelos, toalhas, pés de mesa...até as mantinhas
carinhosamente deixadas para que ele se protegesse do frio, viravam trapos. Ele
nunca perdeu esse costume. Mas aprendeu a deixar toalhas e roupas no varal em
paz.
Tinha um hábito engraçado para
comer. Enquanto comia, ficava rodando em volta da tigela, como se alguém
pudesse tomar o que era dele e a gente observava aquela dança: costumes de quem
tinha que lutar por um pouco de comida no meio de um monte de cachorros no
canil. Com o tempo, ele também perdeu esse costume.
Ele era o dono de tudo, como o
seu nome já dizia: Átila, rei dos Hunos e da nossa casa. Daquela caixa de
concreto para um quintal enorme era como ter conquistado um reino. Corria de um
lado pro outro, rolava na terra, se estirava ao sol, seguia a minha mãe por
onde ela fosse e destruía todos os jardins que ela tentava fazer.
Comigo ele tinha tudo. O seu
lugar favorito era a porta da cozinha, do lado da geladeira. Ali ele descansava,
esperava sua comida (ele sempre era o primeiro a comer), nos observava na sala,
tirava seus cochilos, nos fazia companhia e sempre conseguia algum pedaço do
que eu estava comendo. Quando queria se esticar mais, vinha para a porta do meu
quarto e eu podia ver sua cabecinha encostada no batente da porta, um par de
orelhas baixas, e logo ouvia o seu ronco. Meu cachorro amarelo, tirando sua
siesta depois do almoço, enquanto eu lia deitada na minha cama.
Quando fiquei seis meses fora,
pensava muito nele. Ele já estava velhinho, tossia muito e tinha dificuldades
de levantar. Eu tinha medo de voltar e não vê-lo mais. Mas eu voltei, e ele
estava lá, mais magro, mais fraco, mas chorando minha volta.
Há pessoas que não entendem a
nossa tristeza quando um cachorro morre. “É só um cachorro”, elas dizem. Sou
muito tolerante, mas não respeito pessoas que pensam assim e desconfio de quem
não ama cachorros e animais em geral. Há algo de antinatural não amar um ser
que compartilha tanto com você e te ama incondicionalmente. Meu cachorro era
muito melhor que muita gente que conheço e conheci na vida.
Seus últimos dias foram muito
sofridos. Fizemos o que podíamos e o que não podíamos. Mas ele se foi e agora
não há mais dores pra ele. A gente ficou com todas. Ainda não posso ir onde ele
dormia, ou ver suas coisas. Mas lembro dele no meu colo e quando ele me
esperava no portão. Meu primeiro namorado assobiava longe da esquina e quando
ele corria pro portão, eu sabia que ele estava chegando. O último (e segundo)
fazia carinho nele antes de me cumprimentar! Cachorros fazem isso, hipnotizam
as pessoas, despertam na gente os melhores sentimentos e nos fazem lembrar o
que é amor e companheirismo.
Meu cachorro amarelo, eu sinto
sua falta. E se há um paraíso, espero que você esteja nele, correndo como há
muito tempo você não fazia, rolando na grama, tomando seu sol matinal e comendo
muitos bifes. E quem sabe quando eu te encontre lá, você venha correndo e suje
minha roupa com as suas patas. Obrigado por nos dar 15 anos com você.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Y que...(E que...)
Quiero
un amor que me deje sobria
Que me
embriague los sentidos con perfume
Y con
pocas nubes de razón
Que me
ame mientras friego los platos
Y que
sepa cómo y cuándo alimentar mi silencio
Yo
amaré sus defectos y en su amor
Me
hallaré más próxima de la realidad
Dejaré
que me tome la palabra y me lleve el alma
Con
risas sin sentido
Quiero
un amor que me abrace y me suelte
Que
llene las líneas de mis cuadernos
Que me
dé muerdos en el cuello
Que
esté bien, que sea bueno, que sea tonto
Que sea
todo y que sea poco
Y que
me regale mi espacio para que yo esté llena sin estar completa
Juro que me entregaré a ti
Y
alabaré tu belleza con canciones tontas sobre amores perfectos
Te
compraré flores y peluches monos
Ropa
interior nueva y provocante
Y
algunos libros para no perder la costumbre
Y que me
encuentres
Ya que
te escondes en los sitios dónde no te busco
******
Quero um amor que me deixe sóbria
Que me embriague os sentidos com perfume
E com poucas nuvens de razão
Que me ame enquanto lavo a louça
E que saiba quando e como alimentar meu silêncio
Eu amarei seus defeitos e no seu amor
Me encontrarei mais perto da realidade
Deixarei que me tome a palavra e me leve a alma
Com risadas sem sentido
Quero um amor que me abrace e me solte
Que preencha as linhas dos meus cadernos
Que me morda o pescoço
Que seja bem, que seja bom, que seja bobo
Que seja tudo e seja pouco
E me dê espaço para ser inteira sem ser completa
Juro que me entregarei
E farei jus à sua beleza com hinos tolos sobre amores perfeitos
Comprarei flores e bichos de pelúcia
Lingerie nova e provocante
E alguns livros para não perder o costume
E que me encontre
Já que você se esconde em lugares onde não procuro
Este obra de Amanda Cristina da Silva Ferreira, foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Encuentro (Encontro)
No te
he buscado en campos de rosas
Ni en
los rastros que la luna pinta
En el
cielo de la madrugada
Estabas
allí, enredado en los hilos de la rutina
Un alma
soñadora comprando su cena en un supermercado
Nuestro
encuentro tampoco fue de película
No
estabas ni afeitado y llevabas la chaqueta de siempre
Aunque
hubieses llorado la noche anterior, me regalabas tu sonrisa más sincera
Y
nuestra historia era tan común que parecía real
Pasados
los días, te llevaba conmigo
En las
calles de piedra sin paseos dónde no estabas
En los
puentes antiguos que cruzaban ríos que no conocías
En mis
ojos que veían escenarios en los que faltaba tú
¿Cómo
has entrado si nunca dejé la puerta abierta?
De repente estabas sentado en mi sofá
contándome la verdad
Sobre
el mundo, sobre la vida, sobre ti y sobre mí
Un niño
dulce y perdido entre la gente triste que se reia
Aunque
sigo callando más de lo que debo
Y tú
hablando más de lo que te gustaría
Aún
somos el encuentro improbable y perfecto
Que
tanta falta nos hace en los días sin luces
****
Não te procurei por campos de rosas
Nem nos rastros que a lua pinta no céu da madrugada
Estavas ali, enredado nos fios do cotidiano
Uma alma sonhadora comprando o jantar no supermercado.
Nosso encontro não foi coisa de cinema
Você com a barba por fazer e vestindo aquela jaqueta de sempre
E mesmo tendo chorado toda a noite anterior,
me presenteava com o seu sorriso mais sincero.
E nossa história era tão real, que parecia comum.
Passados os dias, te levava comigo
Pelas ruas de pedra sem calçada onde você não estava
Pelas velhas pontes que cruzavam rios que você não conhecia
E nos meus olhos, que viam cenários nos quais faltava você.
Como pôde entrar se nunca deixo a porta aberta?
De repente, estava ali, sentado em meu sofá me contando a verdade
Sobre o mundo, sobre a vida, sobre você e sobre mim
Um menino doce e perdido no meio da gente triste que ri
Ainda que eu continue calando mais do que deveria
e você dizendo mais do que gostaria
Ainda somos o encontro improvável e perfeito
Que nos faz tanta falta nos dias sem luz
Este obra de Amanda Cristina da Silva Ferreira, foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
****
Não te procurei por campos de rosas
Nem nos rastros que a lua pinta no céu da madrugada
Estavas ali, enredado nos fios do cotidiano
Uma alma sonhadora comprando o jantar no supermercado.
Nosso encontro não foi coisa de cinema
Você com a barba por fazer e vestindo aquela jaqueta de sempre
E mesmo tendo chorado toda a noite anterior,
me presenteava com o seu sorriso mais sincero.
E nossa história era tão real, que parecia comum.
Passados os dias, te levava comigo
Pelas ruas de pedra sem calçada onde você não estava
Pelas velhas pontes que cruzavam rios que você não conhecia
E nos meus olhos, que viam cenários nos quais faltava você.
Como pôde entrar se nunca deixo a porta aberta?
De repente, estava ali, sentado em meu sofá me contando a verdade
Sobre o mundo, sobre a vida, sobre você e sobre mim
Um menino doce e perdido no meio da gente triste que ri
Ainda que eu continue calando mais do que deveria
e você dizendo mais do que gostaria
Ainda somos o encontro improvável e perfeito
Que nos faz tanta falta nos dias sem luz
Este obra de Amanda Cristina da Silva Ferreira, foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
domingo, 8 de abril de 2012
Por ti
Fue por
ti
Por tus
dulces y grandes ojos que me miran y me siguen pidiendo:
Mírame
Por tu
voz, que suavemente habla sonriendo mi nombre
Que he
cambiado todo
He
adornado mi alma con las flores más hermosas
Que he
colorido los días y extendido las noches
Por los
sueños que me cuentas antes de decirme buenos días
He
conocido lo mejor y lo peor de mí, lo más bello y lo más triste (¿será lo mismo?)
No
busco explicaciones, tampoco espero excusas (no me digas “lo siento”)
Solo
respiro tu aire y comparto tus lágrimas y tus sonrisas
Por cuánto
tiempo me reste, por algún motivo
Te he
encontrado, y te seguiré encontrando
Mientras
ves, hablas o duermes
Ahí
estaré y por ti me quedaré
Dónde
quieras encontrarme
***
Foi por ti
Pelos teus olhos doces e grandes que me olham e me pedem:
Me olha
Pela tua voz, que suavemente fala sorrindo o meu nome
Que mudei tudo
Que enfeitei minha alma com as flores mais lindas
Colorindo os dias e estendendo as noites
Pelos sonhos que tu me contas antes de dizer-me bom dia
Que conheci o melhor e o pior de mim, o mais belo e o mais triste (serão iguais?)
Não procuro explicações, muito menos espero desculpas (não me diga "sinto muito")
Apenas respiro teu ar e compartilho tuas lágrimas e teus sorrisos
Pelo tempo que me reste, por algum motivo
Te encontrei e continuarei encontrando
nos teus olhos, na tua fala, nos teus sonhos
Ali estarei e por ti ficarei
Onde queiras me encontrar
***
Foi por ti
Pelos teus olhos doces e grandes que me olham e me pedem:
Me olha
Pela tua voz, que suavemente fala sorrindo o meu nome
Que mudei tudo
Que enfeitei minha alma com as flores mais lindas
Colorindo os dias e estendendo as noites
Pelos sonhos que tu me contas antes de dizer-me bom dia
Que conheci o melhor e o pior de mim, o mais belo e o mais triste (serão iguais?)
Não procuro explicações, muito menos espero desculpas (não me diga "sinto muito")
Apenas respiro teu ar e compartilho tuas lágrimas e teus sorrisos
Pelo tempo que me reste, por algum motivo
Te encontrei e continuarei encontrando
nos teus olhos, na tua fala, nos teus sonhos
Ali estarei e por ti ficarei
Onde queiras me encontrar
Este obra de Amanda Cristina da Silva Ferreira, foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
sábado, 10 de março de 2012
Sueña (Sonho)
Encuéntrame
hoy, al final de la noche
En el
límite entre la vigilia y el sueño
Sujétame
la mano despacio
Y te
daré un sueño para soñarlo juntos.
Caminaremos
en un escenario hecho de los colores de tu pintura favorita
Y no
hablaremos de la oscuridad
Si hay algo
de sombra, será la que los árboles dibujan
Sobre
la yerba húmeda del rocío dónde nos tumbaremos.
Te
contaré historias inventadas para verte sonreír
Y con
los sabores y los olores que te fascinan
Llenaré
el vacío de nuestras almas
Cómo un
respiro largo y fondo al final del camino.
Sueña,
mi dulce niño, sueña
Que
cuándo yo me despierte, cuidaré de tu sueño
Mientras
busco una manera para que vivas para siempre
En el
sueño suave que he creado para abrazarte.
****
Encontre-me hoje, no fim dessa noite
No limite tênue entre a vigília e o sono
Segure minha mão devagar
E te darei um sonho para sonharmos juntos.
Caminharemos pelo cenário feito das cores da sua pintura
favorita
Não falemos de escuridão
Sombras só as que as árvores desenham
Na grama úmida de orvalho sobre a qual nos deitaremos.
Te contarei histórias criadas pra te fazer sorrir
E com sabores e cheiros que te fascinam
Preencherei o vazio de nossas almas
Como um respiro longo e fundo no fim do caminho.
Sonha, meu doce anjo, sonha
E quando eu acordar, velarei o teu sono
Enquanto busco um jeito para que vivas
Eternamente no sonho que criei pra te abraçar.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
...
"Ausência
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado
Eu deixarei...
tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite
e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa
suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos portos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém
porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente,
a tua voz ausente,
a tua voz serenizada"
(Vinícius de Moraes)
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado
Eu deixarei...
tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite
e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa
suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos portos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém
porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente,
a tua voz ausente,
a tua voz serenizada"
(Vinícius de Moraes)
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Nas tuas cores
Sua beleza não está na maneira doce e lenta que se entrega às
pessoas. Nem no modo como extrai ao máximo da vida o que ela tem de prazeroso
sem medo de pagar a fatura do sofrimento que toca a cada um. Nem falarei dos
seus olhos, esses olhos que de tão transparentes e vivos sonham e fazem sonhar.
Ser o alvo deles é a única esperança que alimenta meu consolo. Ou do movimento
que faz o seu rosto quando dorme, a boca semiaberta como se esperasse um beijo, não um que despertasse, mas que o ajudasse a dormir melhor. É
belo não apenas pela voz que acalma, nem pelo sorriso aberto que nega nas
fotos. Acima de tudo, sua beleza está na habilidade acentuada de dar cor.
Equivocado entre os espectros, as cores que não pode ver, ele cria. Colore os
momentos, inocentemente, o passado lhe parece sempre mais bonito do que
realmente foi. E o amo porque não posso machucá-lo. Em seu rosto iluminado
por luzes amarelas, em seus olhos úmidos de choro fácil, li a certeza de estar diante do único
ser em todo o universo sobre o qual não posso exercer a minha habilidade de infligir
dano. Sua dor me dói como faca que corta a carne. Ele pode esquecer essa dor.
Eu não. Não me perdoo. Ele sim, e ainda transforma o dia frio e triste em
lembrança doce. Curvo-me diante de sua imagem, mergulho na dor da sua ausência.
Ouço as canções que dedicou a mim e escrevo notas sobre os momentos que
compartilhamos. Quando terá fim o meu sofrimento? No dia em que segure sua mão
de novo, apoie minha cabeça em seu ombro e sorrindo, lhe pergunte: como você
está?
This work by Amanda Cristina da Silva Ferreira is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported License.
Diário
Acorda. Seus olhos ainda semicerrados se dão conta de onde
está. Quer desaparecer no sonho, mas a noite é curta demais. Levanta-se. Não
quer deitar, não quer estar de pé. Não há mais desejo em seu mundo, nem chama
em seus olhos. Respira, porque não tem escolha. E se lembra de que sempre temos
escolha, então se respira é porque ainda tem esperança. Que o desejo volte, que
o dia passe, que o tempo mate. Escuta os ruídos suaves da manhã que ainda não
nasceu. Prefere a madrugada. Nela o seu silêncio é legítimo, o mundo está
calado, é autorizado não dizer nada, não tentar ser feliz, só existir. E esse
aperto na garganta? Ela engolirá a palavra, mais uma vez, pelo bem de não sei o quê, pelo
proveito de algo que não entende. Está só. Sai e caminha pela rua meio escura,
meio iluminada. Busca o vazio no qual encontre seu eco. Não faz sol, não é
noite, é nuvem, é nublado, é brisa de manhã que não chegou. Nesse breve
momento, ela é feliz. Mas o dia nasce, a tarde chega, a noite cai. E mais um
dia se passa, entre listas de afazeres e lágrimas de saudades. E amanhã começa
tudo de novo, a despeito do único desejo absurdo que sobrevive no desespero das
horas seguintes: voltar no tempo.
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Tarde demais para escrever
Não gosto das tardes. Sinto que elas carecem de sentido
prático. As manhãs carregam a essência da esperança do dia, somos capazes de
mudar o mundo se levantamos com o espírito certo. Enquanto que as noites são
dúbias. Podem ser o alívio do fim ou as horas sossegadas em que se desfrutam os
últimos momentos antes do que virá ao nascer do sol. As tardes não são nada.
São o intervalo. Promessa a cumprir. Eu não gosto de promessas e não gosto das
tardes.
Certos estão os espanhóis que declaram abertamente a total
inutilidade das horas entre as 14h e 17h da tarde e a chamam de siesta. Nessas horas, é melhor dormir. É melhor não
estar vivo nessas horas. Porque nas tardes encaramos o vazio da vida. A
banalidade da rotina. A preguiça depois de comer. Encontramos quem somos,
pensamos no que não temos. Se fizer calor, aí sim, eu odeio as tardes.
Não sei se um dia transformarei tardes como essa em horas
produtivas. Não sei. Por enquanto, eu durmo ou rogo para que a noite chegue
logo. Até agora, eu sou simples assim e simples é o meu sentimento: eu só não
gosto das tardes.
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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
¿Cómo se hace?
http://www.youtube.com/watch?v=hvFLwrEsm10
"No quiero
dejar pasar todo de nuevo
¿Cómo
puede ser?
¿Cómo
puede ser que no haga nada?
Hace 25
años que me pregunto
Y hace
25 años que me contesto lo mismo
Dejad,
fue otra vida, ya pasó, ya está, no preguntes, no pienses
No fue
otra vida, fue esta
Es esta
Ahora
quiero entender todo
¿Cómo
se hace para vivir una vida vacía?
¿Cómo
se hace para vivir una vida llena de nada?
¿Cómo
se hace?"
Sólo un dia más
Solo
iba a ser una fase,
pero se ha transformado en eternidad.
Ahora vuelvo, pero no vuelvo.
En mí hay miles de palabras,
pero sólo puedo pensar en tu sonrisa.
pero se ha transformado en eternidad.
Ahora vuelvo, pero no vuelvo.
En mí hay miles de palabras,
pero sólo puedo pensar en tu sonrisa.
Lo
que callo es tan transparente,
como cada gesto triste que busca tu mano.
¿Cuándo volveré a verte?
En cada momento de mis días
y en esta lágrima que no me cae,
Yo sólo quiero estar alegre delante de ti.
Fuerte, lo suficiente para consolarte.
como cada gesto triste que busca tu mano.
¿Cuándo volveré a verte?
En cada momento de mis días
y en esta lágrima que no me cae,
Yo sólo quiero estar alegre delante de ti.
Fuerte, lo suficiente para consolarte.
He
venido en el mejor momento, pero
vuelvo en el tiempo que me fue ofrecido.
Entiendo esta perfecta sincronía,
aunque sólo deseo, infinitamente estar un día más a tu lado.
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vuelvo en el tiempo que me fue ofrecido.
Entiendo esta perfecta sincronía,
aunque sólo deseo, infinitamente estar un día más a tu lado.
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
A ti, un deseo en el papel
Querido
humano,

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Ruego
para que encuentres
En tus
sordos monólogos
El
sentido final de porque respiras
Y en el
camino del tiempo
La
dirección que llevas
Que
encuentres, mi dulce hombre,
En tus
muestras de valor y poder
Tus
debilidades y tus miedos
Y en tus
serviciales contactos
Una
historia que te cambie el color del día
Rezo
por ti, miro por mí
Aunque
sea un momento
Pensaré
en ti mientras veo el último anuncio
Y leo
libros que me enseñan a vivir
Que en
el fin,
Solo
hay un vacio por llenar
Y un
sueño de hambre en medio de la comida
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En el medio
En medio de farsas de espejos mágicos y figuras
de arena,
Te
encontré
Si no
fuera por las circunstancias, trampa del destino para quien vive con pasión,
Serías
mío y yo tuya
Eres la
fuente de mi sonrisa, la voz que escucho cuando respiro
Yo soy
para ti la sorpresa incompleta de la madrugada
El sentido
que nunca probaste pero que siempre esperabas
Hecho
de gestos de libertad y desapego
De
palabras dulces, pequeñas tonterías y
sonrisas compartidas
De
comprensión y fascinación mutuas
Así,
todo junto (¿cómo es posible?)
Sabes
que estoy aquí, que siempre estaré pero todavía me quieres
Esto es
nuevo para ti
Y me
sorprendo con lo que soy a tu lado
La
mejor versión de mí
Si no fuera por las circunstancias, excusa para transformar
el imposible en belleza
Tendríamos
el tesoro perdido del que la gente tanto habla
Pero
que nadie lo ve
Sin
embargo no, no lo tenemos
E ilusionados, seguimos
Pero
aún eso me hace despertar por la noche
y
preguntar a la oscuridad de mi habitación
¿Por
qué no?

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