Não gosto das tardes. Sinto que elas carecem de sentido
prático. As manhãs carregam a essência da esperança do dia, somos capazes de
mudar o mundo se levantamos com o espírito certo. Enquanto que as noites são
dúbias. Podem ser o alívio do fim ou as horas sossegadas em que se desfrutam os
últimos momentos antes do que virá ao nascer do sol. As tardes não são nada.
São o intervalo. Promessa a cumprir. Eu não gosto de promessas e não gosto das
tardes.
Certos estão os espanhóis que declaram abertamente a total
inutilidade das horas entre as 14h e 17h da tarde e a chamam de siesta. Nessas horas, é melhor dormir. É melhor não
estar vivo nessas horas. Porque nas tardes encaramos o vazio da vida. A
banalidade da rotina. A preguiça depois de comer. Encontramos quem somos,
pensamos no que não temos. Se fizer calor, aí sim, eu odeio as tardes.
Não sei se um dia transformarei tardes como essa em horas
produtivas. Não sei. Por enquanto, eu durmo ou rogo para que a noite chegue
logo. Até agora, eu sou simples assim e simples é o meu sentimento: eu só não
gosto das tardes.
This work by Amanda Cristina da Silva Ferreira is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported License.
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Lembro de tardes massantes, com slides azuis de fundo, em que céu e mar se encontravam... Também não gosto das tardes, sou filha da noite.
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