terça-feira, 23 de outubro de 2012

O segredo do tempo / El secreto del tiempo

Talvez um dia um pássaro me conte como é viver um amanhecer de cada vez.
Talvez um dia eu abra portas sem imaginar o que há atrás.
Com sorte morrerei, mas que não continue respirando.
E nem que seja por um segundo, eu esteja aqui e agora, sem passado e sem futuro.
E sinta o tempo roçar meu braço e sussurrar no meu ouvido: "Viva".
"Viva o choro, a dor, o sofrimento, a risada, o amor, a decepção e a esperança".
"Mas viva".
"E não me perca, que te dou de presente o maior segredo que tenho:
Que é no momento que guardo aquilo que vocês chamam de eternidade."

 ****
Quizás un pájaro me cuente como es vivir un amanecer a la vez.
Quizás un día abra puertas sin imaginar lo que hay detrás. 
Ojalá muera, pero que no siga respirando.
Y ni que sea por un segundo, esté aquí y ahora, sin pasado, sin futuro.
Y sienta el tiempo rozar mi brazo y hablarme bajito al oído: "Vive".
"Vive el llanto, el dolor, el sufrimiento, la risa, el amor, la decepción y la ilusión". 
"Pero vive".
"Y no me pierdas, que te regalo el secreto que tengo: 
que es el momento que guardo, al que llamáis, eternidad." 


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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Quando

Quando eu amar de novo
Nada terá mudado no mundo
Os segundos ainda ditarão o tempo de espera
E pessoas seguirão os fluxos programados
Mas dentro de mim, secretamente, algo se acalmará
Aquele viajante perdido encontrará um lar
E sozinha na multidão, sorrirei ao escutar nossa canção.
Quando eu amar de novo
Aquela outra história morrerá como as folhas de outono
Amareladas entre as páginas de um livro
Com palavras e promessas feitas para sempre
E que não duraram mais este verão.
Quando eu amar de novo
Seremos cúmplices no crime da felicidade
Escondidos das celebrações de alegria aparente
E nenhum grito será dado
O que tiver que ser dito será guardado junto ao seu ouvido.
Sem novas fotos nos porta-retratos
Nenhuma teoria perfeita sobre o amor
Nada e tudo terá tanto sentido
Como eu e você juntos

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Só quem tem cachorro sabe

Eu sempre achei que eu o tinha escolhido. Que engano, foi ele quem me escolheu. Entre montes de filhotes saltitantes lambendo a minha mão, ele estava lá, no fundo daquela caixa de concreto fria de canil. Ele já sabia: eu não resisto a semblantes de tristeza e olhos desconfiados. E apontei: “Eu quero aquele quietinho ali”.
Em casa, ele se revelou: roía tudo o que via pela frente, chinelos, toalhas, pés de mesa...até as mantinhas carinhosamente deixadas para que ele se protegesse do frio, viravam trapos. Ele nunca perdeu esse costume. Mas aprendeu a deixar toalhas e roupas no varal em paz.
Tinha um hábito engraçado para comer. Enquanto comia, ficava rodando em volta da tigela, como se alguém pudesse tomar o que era dele e a gente observava aquela dança: costumes de quem tinha que lutar por um pouco de comida no meio de um monte de cachorros no canil. Com o tempo, ele também perdeu esse costume.
Ele era o dono de tudo, como o seu nome já dizia: Átila, rei dos Hunos e da nossa casa. Daquela caixa de concreto para um quintal enorme era como ter conquistado um reino. Corria de um lado pro outro, rolava na terra, se estirava ao sol, seguia a minha mãe por onde ela fosse e destruía todos os jardins que ela tentava fazer.
Comigo ele tinha tudo. O seu lugar favorito era a porta da cozinha, do lado da geladeira. Ali ele descansava, esperava sua comida (ele sempre era o primeiro a comer), nos observava na sala, tirava seus cochilos, nos fazia companhia e sempre conseguia algum pedaço do que eu estava comendo. Quando queria se esticar mais, vinha para a porta do meu quarto e eu podia ver sua cabecinha encostada no batente da porta, um par de orelhas baixas, e logo ouvia o seu ronco. Meu cachorro amarelo, tirando sua siesta depois do almoço, enquanto eu lia deitada na minha cama.
Quando fiquei seis meses fora, pensava muito nele. Ele já estava velhinho, tossia muito e tinha dificuldades de levantar. Eu tinha medo de voltar e não vê-lo mais. Mas eu voltei, e ele estava lá, mais magro, mais fraco, mas chorando minha volta.
Há pessoas que não entendem a nossa tristeza quando um cachorro morre. “É só um cachorro”, elas dizem. Sou muito tolerante, mas não respeito pessoas que pensam assim e desconfio de quem não ama cachorros e animais em geral. Há algo de antinatural não amar um ser que compartilha tanto com você e te ama incondicionalmente. Meu cachorro era muito melhor que muita gente que conheço e conheci na vida.
Seus últimos dias foram muito sofridos. Fizemos o que podíamos e o que não podíamos. Mas ele se foi e agora não há mais dores pra ele. A gente ficou com todas. Ainda não posso ir onde ele dormia, ou ver suas coisas. Mas lembro dele no meu colo e quando ele me esperava no portão. Meu primeiro namorado assobiava longe da esquina e quando ele corria pro portão, eu sabia que ele estava chegando. O último (e segundo) fazia carinho nele antes de me cumprimentar! Cachorros fazem isso, hipnotizam as pessoas, despertam na gente os melhores sentimentos e nos fazem lembrar o que é amor e companheirismo.
Meu cachorro amarelo, eu sinto sua falta. E se há um paraíso, espero que você esteja nele, correndo como há muito tempo você não fazia, rolando na grama, tomando seu sol matinal e comendo muitos bifes. E quem sabe quando eu te encontre lá, você venha correndo e suje minha roupa com as suas patas. Obrigado por nos dar 15 anos com você.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Y que...(E que...)


Quiero un amor que me deje sobria
Que me embriague los sentidos con perfume
Y con pocas nubes de razón
Que me ame mientras friego los platos
Y que sepa cómo y cuándo alimentar mi silencio
Yo amaré sus defectos y en su amor
Me hallaré más próxima de la realidad
Dejaré que me tome la palabra y me lleve el alma
Con risas sin sentido
Quiero un amor que me abrace y me suelte
Que llene las líneas de mis cuadernos
Que me dé muerdos en el cuello
Que esté bien, que sea bueno, que sea tonto
Que sea todo y que sea poco
Y que me regale mi espacio para que yo esté llena sin estar completa
Juro que me entregaré a ti
Y alabaré tu belleza con canciones tontas sobre amores perfectos
Te compraré flores y peluches monos
Ropa interior nueva y provocante
Y algunos libros para no perder la costumbre
Y que me encuentres
Ya que te escondes en los sitios dónde no te busco

******

Quero um amor que me deixe sóbria
Que me embriague os sentidos com perfume
E com poucas nuvens de razão
Que me ame enquanto lavo a louça
E que saiba quando e como alimentar meu silêncio
Eu amarei seus defeitos e no seu amor
Me encontrarei mais perto da realidade
Deixarei que me tome a palavra e me leve a alma
Com risadas sem sentido
Quero um amor que me abrace e me solte
Que preencha as linhas dos meus cadernos
Que me morda o pescoço
Que seja bem, que seja bom, que seja bobo
Que seja tudo e seja pouco
E me dê espaço para ser inteira sem ser completa
Juro que me entregarei
E farei jus à sua beleza com hinos tolos sobre amores perfeitos
Comprarei flores e bichos de pelúcia
Lingerie nova e provocante
E alguns livros para não perder o costume
E que me encontre
Já que você se esconde em lugares onde não procuro

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Encuentro (Encontro)

No te he buscado en campos de rosas
Ni en los rastros que la luna pinta
En el cielo de la madrugada
Estabas allí, enredado en los hilos de la rutina
Un alma soñadora comprando su cena en un supermercado
Nuestro encuentro tampoco fue de película
No estabas ni afeitado y llevabas la chaqueta de siempre
Aunque hubieses llorado la noche anterior, me regalabas tu sonrisa más sincera
Y nuestra historia era tan común que parecía real
Pasados los días, te llevaba conmigo
En las calles de piedra sin paseos dónde no estabas
En los puentes antiguos que cruzaban ríos que no conocías
En mis ojos que veían escenarios en los que faltaba tú
¿Cómo has entrado si nunca dejé la puerta abierta?
 De repente estabas sentado en mi sofá contándome la verdad
Sobre el mundo, sobre la vida, sobre ti y sobre mí
Un niño dulce y perdido entre la gente triste que se reia
Aunque sigo callando más de lo que debo
Y tú hablando más de lo que te gustaría
Aún somos el encuentro improbable y perfecto
Que tanta falta nos hace en los días sin luces 

****
Não te procurei por campos de rosas
Nem nos rastros que a lua pinta no céu da madrugada
Estavas ali, enredado nos fios do cotidiano
Uma alma sonhadora comprando o jantar no supermercado.
Nosso encontro não foi coisa de cinema
Você com a barba por fazer e vestindo aquela jaqueta de sempre
E mesmo tendo chorado toda a noite anterior,
me presenteava com o seu sorriso mais sincero.
E nossa história era tão real, que parecia comum.
Passados os dias, te levava comigo
Pelas ruas de pedra sem calçada onde você não estava
Pelas velhas pontes que cruzavam rios que você não conhecia
E nos meus olhos, que viam cenários nos quais faltava você.
Como pôde entrar se nunca deixo a porta aberta?
De repente, estava ali, sentado em meu sofá me contando a verdade
Sobre o mundo, sobre a vida, sobre você e sobre mim
Um menino doce e perdido no meio da gente triste que ri
Ainda que eu continue calando mais do que deveria
e você dizendo mais do que gostaria
Ainda somos o encontro improvável e perfeito
Que nos faz tanta falta nos dias sem luz



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domingo, 8 de abril de 2012

Por ti


Fue por ti
Por tus dulces y grandes ojos que me miran y me siguen pidiendo:
Mírame
Por tu voz, que suavemente habla sonriendo mi nombre
Que he cambiado todo
He adornado mi alma con las flores más hermosas
Que he colorido los días y extendido las noches
Por los sueños que me cuentas antes de decirme buenos días
He conocido lo mejor y lo peor de mí, lo más bello y lo más triste (¿será lo mismo?)
No busco explicaciones, tampoco espero excusas (no me digas “lo siento”)
Solo respiro tu aire y comparto tus lágrimas y tus sonrisas
Por cuánto tiempo me reste, por algún motivo
Te he encontrado, y  te seguiré encontrando
Mientras ves, hablas o duermes
Ahí estaré y por ti me quedaré
Dónde quieras encontrarme


***
Foi por ti
Pelos teus olhos doces e grandes que me olham e me pedem:
Me olha
Pela tua voz, que suavemente fala sorrindo o meu nome
Que mudei tudo
Que enfeitei minha alma com as flores mais lindas
Colorindo os dias e estendendo as noites
Pelos sonhos que tu me contas antes de dizer-me bom dia
Que conheci o melhor e o pior de mim, o mais belo e o mais triste (serão iguais?)
Não procuro explicações, muito menos espero desculpas (não me diga "sinto muito")
Apenas respiro teu ar e compartilho tuas lágrimas e teus sorrisos
Pelo tempo que me reste, por algum motivo
Te encontrei e continuarei encontrando
nos teus olhos, na tua fala, nos teus sonhos
Ali estarei e por ti ficarei
Onde queiras me encontrar


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sábado, 10 de março de 2012

Sueña (Sonho)


Encuéntrame hoy, al final de la noche
En el límite entre la vigilia y el sueño
Sujétame la mano despacio
Y te daré un sueño para soñarlo juntos.
Caminaremos en un escenario hecho de los colores de tu pintura favorita
Y no hablaremos de la oscuridad
Si hay algo de sombra, será la que los árboles dibujan
Sobre la yerba húmeda del rocío dónde nos tumbaremos.
Te contaré historias inventadas para verte sonreír
Y con los sabores y los olores que te fascinan
Llenaré el vacío de nuestras almas
Cómo un respiro largo y fondo al final del camino.
Sueña, mi dulce niño, sueña
Que cuándo yo me despierte, cuidaré de tu sueño
Mientras busco una manera para que vivas para siempre
En el sueño suave que he creado para abrazarte.

****
Encontre-me hoje, no fim dessa noite
No limite tênue entre a vigília e o sono
Segure minha mão devagar
E te darei um sonho para sonharmos juntos.
Caminharemos pelo cenário feito das cores da sua pintura favorita
Não falemos de escuridão
Sombras só as que as árvores desenham
Na grama úmida de orvalho sobre a qual nos deitaremos.
Te contarei histórias criadas pra te fazer sorrir
E com sabores e cheiros que te fascinam
Preencherei o vazio de nossas almas
Como um respiro longo e fundo no fim do caminho.
Sonha, meu doce anjo, sonha
E quando eu acordar, velarei o teu sono
Enquanto busco um jeito para que vivas
Eternamente no sonho que criei pra te abraçar.

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This work by Amanda Cristina da Silva Ferreira is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported License.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

...

"Ausência


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces 
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto 
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida 
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz 
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado 
Quero só que surjas em mim 
como a fé nos desesperados 
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada 
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado 
Eu deixarei... 
tu irás e encostarás a tua face em outra face 
Teus dedos enlaçarão outros dedos 
e tu desabrocharás para a madrugada. 
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, 
porque eu fui o grande íntimo da noite. 
Porque eu encostei minha face na face da noite 
e ouvi a tua fala amorosa. 
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa 
suspensos no espaço. 
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. 
Eu ficarei só 
como os veleiros nos portos silenciosos. 
Mas eu te possuirei como ninguém 
porque poderei partir. 

E todas as lamentações do mar, 
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, 
a tua voz ausente, 
a tua voz serenizada"


(Vinícius de Moraes)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Nas tuas cores


Sua beleza não está na maneira doce e lenta que se entrega às pessoas. Nem no modo como extrai ao máximo da vida o que ela tem de prazeroso sem medo de pagar a fatura do sofrimento que toca a cada um. Nem falarei dos seus olhos, esses olhos que de tão transparentes e vivos sonham e fazem sonhar. Ser o alvo deles é a única esperança que alimenta meu consolo. Ou do movimento que faz o seu rosto quando dorme, a boca semiaberta como se esperasse um beijo, não um que despertasse, mas que o ajudasse a dormir melhor. É belo não apenas pela voz que acalma, nem pelo sorriso aberto que nega nas fotos. Acima de tudo, sua beleza está na habilidade acentuada de dar cor. Equivocado entre os espectros, as cores que não pode ver, ele cria. Colore os momentos, inocentemente, o passado lhe parece sempre mais bonito do que realmente foi. E o amo porque não posso machucá-lo. Em seu rosto iluminado por luzes amarelas, em seus olhos úmidos de choro fácil, li a certeza de estar diante do único ser em todo o universo sobre o qual não posso exercer a minha habilidade de infligir dano. Sua dor me dói como faca que corta a carne. Ele pode esquecer essa dor. Eu não. Não me perdoo. Ele sim, e ainda transforma o dia frio e triste em lembrança doce. Curvo-me diante de sua imagem, mergulho na dor da sua ausência. Ouço as canções que dedicou a mim e escrevo notas sobre os momentos que compartilhamos. Quando terá fim o meu sofrimento? No dia em que segure sua mão de novo, apoie minha cabeça em seu ombro e sorrindo, lhe pergunte: como você está?


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Diário


Acorda. Seus olhos ainda semicerrados se dão conta de onde está. Quer desaparecer no sonho, mas a noite é curta demais. Levanta-se. Não quer deitar, não quer estar de pé. Não há mais desejo em seu mundo, nem chama em seus olhos. Respira, porque não tem escolha. E se lembra de que sempre temos escolha, então se respira é porque ainda tem esperança. Que o desejo volte, que o dia passe, que o tempo mate. Escuta os ruídos suaves da manhã que ainda não nasceu. Prefere a madrugada. Nela o seu silêncio é legítimo, o mundo está calado, é autorizado não dizer nada, não tentar ser feliz, só existir. E esse aperto na garganta? Ela engolirá a palavra, mais uma vez, pelo bem de não sei o quê, pelo proveito de algo que não entende. Está só. Sai e caminha pela rua meio escura, meio iluminada. Busca o vazio no qual encontre seu eco. Não faz sol, não é noite, é nuvem, é nublado, é brisa de manhã que não chegou. Nesse breve momento, ela é feliz. Mas o dia nasce, a tarde chega, a noite cai. E mais um dia se passa, entre listas de afazeres e lágrimas de saudades. E amanhã começa tudo de novo, a despeito do único desejo absurdo que sobrevive no desespero das horas seguintes: voltar no tempo.

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Tarde demais para escrever


Não gosto das tardes. Sinto que elas carecem de sentido prático. As manhãs carregam a essência da esperança do dia, somos capazes de mudar o mundo se levantamos com o espírito certo. Enquanto que as noites são dúbias. Podem ser o alívio do fim ou as horas sossegadas em que se desfrutam os últimos momentos antes do que virá ao nascer do sol. As tardes não são nada. São o intervalo. Promessa a cumprir. Eu não gosto de promessas e não gosto das tardes.
Certos estão os espanhóis que declaram abertamente a total inutilidade das horas entre as 14h e 17h da tarde e a chamam de siesta.  Nessas horas, é melhor dormir. É melhor não estar vivo nessas horas. Porque nas tardes encaramos o vazio da vida. A banalidade da rotina. A preguiça depois de comer. Encontramos quem somos, pensamos no que não temos. Se fizer calor, aí sim, eu odeio as tardes.
Não sei se um dia transformarei tardes como essa em horas produtivas. Não sei. Por enquanto, eu durmo ou rogo para que a noite chegue logo. Até agora, eu sou simples assim e simples é o meu sentimento: eu só não gosto das tardes.


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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

¿Cómo se hace?

http://www.youtube.com/watch?v=hvFLwrEsm10


"No quiero dejar pasar todo de nuevo
¿Cómo puede ser?
¿Cómo puede ser que no haga nada?
Hace 25 años que me pregunto
Y hace 25 años que me contesto lo mismo
Dejad, fue otra vida, ya pasó, ya está, no preguntes, no pienses
No fue otra vida, fue esta
Es esta
Ahora quiero entender todo
¿Cómo se hace para vivir una vida vacía?
¿Cómo se hace para vivir una vida llena de nada?
¿Cómo se hace?"

Sólo un dia más


Solo iba a ser una fase,
pero se ha transformado en eternidad.
Ahora vuelvo, pero no vuelvo.
En mí hay miles de palabras,
pero sólo puedo pensar en tu sonrisa.
Lo que callo es tan transparente,
como cada gesto triste que busca tu mano.
¿Cuándo volveré a verte?
En cada momento de mis días
y en esta lágrima que no me cae,
Yo sólo quiero estar alegre delante de ti.
Fuerte, lo suficiente para consolarte.
He venido en el mejor momento, pero
vuelvo en el tiempo que me fue ofrecido.
Entiendo esta perfecta sincronía,
aunque sólo deseo, infinitamente estar un día más a tu lado.



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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A ti, un deseo en el papel

Querido humano,
Ruego para que encuentres
En tus sordos monólogos
El sentido final de porque respiras
Y en el camino del tiempo
La dirección que llevas
Que encuentres, mi dulce hombre,
En tus muestras de valor y poder
Tus debilidades y tus miedos
Y en tus serviciales contactos
Una historia que te cambie el color del día
Rezo por ti, miro por mí
Aunque sea un momento
Pensaré en ti mientras veo el último anuncio
Y leo libros que me enseñan a vivir
Que en el fin,
Solo hay un vacio por llenar
Y un sueño de hambre en medio de la comida

En el medio


En  medio de farsas de espejos mágicos y figuras de arena,
Te encontré
Si no fuera por las circunstancias, trampa del destino para quien vive con pasión,
Serías mío y yo tuya
Eres la fuente de mi sonrisa, la voz que escucho cuando respiro
Yo soy para ti la sorpresa incompleta de la madrugada
El sentido que nunca probaste pero que siempre esperabas
Hecho de gestos de libertad y desapego
De palabras dulces,  pequeñas tonterías y sonrisas compartidas
De comprensión y fascinación mutuas 
Así, todo junto (¿cómo es posible?)
Sabes que estoy aquí, que siempre estaré pero todavía me quieres
Esto es nuevo para ti
Y me sorprendo con lo que soy a tu lado
La mejor versión de mí
Si no fuera por las circunstancias, excusa para transformar el imposible en belleza
Tendríamos el tesoro perdido del que la gente tanto habla
Pero que nadie lo ve
Sin embargo no, no lo tenemos
E ilusionados, seguimos
Pero aún eso me hace despertar por la noche
y preguntar a la oscuridad de mi habitación