Essa carta não é pra você. Não é nem de amor, mas pode
parecer tão ridícula quanto. É um protesto, um desabafo e mais, é uma ode aos muitos
desejos que são sufocados em prol de não sei o quê e nem por quem. Seja pelo
que for, essa asfixia não deve matar esses desejos. Libertem-se. Realizem-se.
Despertem! Oh, por Deus ou por qualquer outra força que imaginem superior a
vocês mesmo, despertem! Despertem do sono artificial da rotina e do previsível.
Aconteçam nas ruas, nas mensagens de texto ou subliminares e nos olhares, em
qualquer lugar. Um dia pode parecer tão pouco, talvez amanhã, talvez nunca mais,
não vale a pena: por favor, não! Quem poderá saber menos do que está por vir do
que nós, presos ao passado, reféns de um futuro que não existe e alienados do
hoje? Até um simples pássaro, na sua humilde majestade, vive um amanhecer de
cada vez. Não faço muitas preces, mas diria uma em nome de cada momento, para
que ele não se perca; para que cada encontro não seja desprezado pela “falta de”:
falta de tempo, de utilidade, de vantagem, de coragem. E uma pra você, e pra
mim. Mais por você, pra você sempre lembrar o de sempre: que não há nunca e
muito menos sempre.
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