segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Resoluções para um feliz "presente" novo

Não tem jeito. Todo final de ano faço milhares de resoluções, promessas e desejos. Ser mais tolerante, comer menos, cumprir meus prazos, guardar mais dinheiro, e a lista continua. Os dias do novo ano se passam e aquele monte de tarefas se esvai pouco a pouco no cotidiano. Então pra que fazer tantas promessas? Essa é uma daquelas perguntas que trazem dentro dela mesma a resposta: porque temos esperança.
Esperança que aquele momento que ficamos acordados entre o fim de um dia e o começo de outro represente mais que uma passagem de horas: seja um ritual de renovação. De renovar os sonhos, as energias, de encontrar força o suficiente pra transformar aquele plano de vida meio empoeirado pelo tempo em realização.
E quem disse também que tudo o que pedimos no ano novo está destinado ao esquecimento? Percebo que com o passar dos anos peço cada vez menos pra mim e cada vez mais coisas que realmente não posso controlar. Peço principalmente tempo. Tempo com meus amigos, com a minha família, com meu namorado, e tempo de qualidade, de união, de conversa e risada. E pra isso, aqueles clichês de saúde, paz e amor fazem cada vez mais sentido. Sem eles, não há a presença das pessoas que citei, e isso é tudo.
Se essas palavras parecem bregas e romanceadas, não é efeito dos especiais horríveis de fim de ano (Roberto Carlos especial que me perdoe) e sim desse tempo, que passa implacavelmente e ensina que nada é tão duradouro que não se vá como se nem tivesse começado. Por isso, peço não um futuro promissor, mas um presente que eu possa sentir que vale a pena a ser vivido. Se der, menos especiais de fim de ano também.




sábado, 18 de dezembro de 2010

Pequenos, cada vez menores

Cada dia que passa me surpreendo mais com a pequenez das coisas. Vivemos num mundo de pessoas pequenas, de atitudes e pensamentos pequenos, não no sentido de tamanho propriamente dito, mas falo de mesquinharia, de pouco caso com o outro. Não que eu seja uma entusiasta da espécie humana e da sua suposta humanidade. Tem cachorro vira-lata mais solidário que muita gente que conheço. O que me desestrutura é uma cultura do tirar vantagem, do rir da desgraça alheia, de apostar à custa do sofrimento e desequilíbrio de outrem.
Dia desses, incomodada com uma dessas demonstrações gratuitas de mesquinhez humana, resolvi procurar no dicionário a definição de respeito. Eis o que encontrei: "sentimento que leva a tratar alguém ou algo com grande atenção; consideração, reverência" (Houaiss, 2004). Gostei do que li, no entanto, para os autores da babaquice que presenciei, é inútil recomendar a leitura. Respeito não é um conceito a ser aprendido, mas uma escolha. Uma escolha entre ser um canalha sacana ou uma pessoa com o mínimo de empatia por qualquer um que mereça. Pode parecer uma escolha difícil pois desfazer do outro sem motivo ou reflexão prévia às vezes é considerado divertido. Até que façam o mesmo com você.
Meu primeiro impulso diante disso é me afastar completamente das pessoas, viver entre animais e plantas numa floresta distante. Mas a vida não é isso. Acredito ainda que há pessoas por quem vale a pena lutar, se alegrar e com quem compartilhar o que há de bom e difícil em estar nesse mundo. Por via das dúvidas, ando armada de boas palavras para os que delas precisam mas principalmente do silêncio da indiferença para aqueles que merecem nada mais do que isso.