This work by Amanda Cristina da Silva Ferreira is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported License.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Perdas e danos
Quando estamos distraídos e desarmados diante das banalidades da vida, algo nos captura e nos leva a um outro nível de consciência. Aconteceu comigo hoje. Terminando de ler meus e-mails, extratos de banco e outras bobagens, li a seguinte frase ao sair da tela do Free Cell (para quem não conhece, é um dos jogos de cartas que todo computador tem. Jogo com frequência, recomendo!): deseja abandonar este jogo? E me veio um insight. Sim, eu desejo realmente abandonar este e muitos outros jogos. Desejo abandonar o jogo de mentiras, do não-dito, do falso e ilusório que as pessoas tem transformado a vida e as relações. Desejo abandonar as promessas falsas, as soluções rápidas, os remédios milagrosos. Desejo sofrer, porque o sofrimento é real, o paliativo me incomoda, quero e devo amargar todas as minhas perdas e danos, porque aí sim eu realmente abandonarei o jogar para me entregar ao brincar. Brincar com a vida, com as possibilidades, com a alma séria que ostento nas costas como um peso morto. Quero que ela saia. Quero que aquele ou aquilo que já não me traz prazer, nenhum prazer, saia, se vá e me deixe renascer. Sim, sim, sim, eu desejo realmente abandonar este jogo sórdido e inútil de poder e desamor para ser, qualquer coisa e o que eu quiser. Sem olhar pra trás, a não ser para limpar os pés daquilo que não me serve mais. E livremente, finalmente, viver.

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sábado, 19 de fevereiro de 2011
Silêncio
Hoje, não vou escrever nada (além disso que estou escrevendo). Encontro nas palavras de Cecília Meireles o grito que não consigo dar:
Despedida
Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras? Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...) Quero solidão.
Despedida
Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras? Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...) Quero solidão.
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