sábado, 9 de julho de 2011

Último bilhete

Essa triste face no espelho? Nunca mais. Esse discurso desencontrado, essas palavras sem sentido? Poupe sua retórica pouco desenvolvida. Desapareça. Lembranças do que já foi, do que poderia ter sido, para o futuro e para a família? Esqueça. Atravesse a rua, finja que não me conhece. Eu vou deixar esse ser de esperanças bobas e fantasias histriônicas pelo fim das desculpas, dos motivos rancorosos. Deixar tudo isso pelos cabelos ao vento e uma mala na mão. Minha porta está fechada e por favor, por tudo que eu já fiz, não me procure mais. Porque não estou à sua procura e de mim não haverá mais notícias. Não mais, não para você. Se me ligar, não deixe recados. Se me enviar cartas, voltarão para o remetente. Deixe-me, de uma vez por todas. Um adeus sem abraços para você, solidão.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Verbo

Espero. É só uma vã esperança, tola, como todas. Desespero. Quem não quer reexperimentar a emoção primeira, o suor nas mãos, arrepio, a luz do desejo de ter o que tanto se idealiza? Minto. Não é verdade, está mais em mim do que em qualquer outro lugar. Desfaço. Cartas, textos, palavras e promessas, como se nunca tivessem existido. Retomo. O dia-a-dia, a conversa formal, o papel na trama do normal. Disfarço. A ilusão que ainda mora em algum canto obscuro da minha mente. Vivo. Pra quê, pra quem? Pra nada. E é o que me move, apesar de tudo, até o dia do último amanhecer.